Faço minhas as palavras de Maria Helena Andrés quando diz que a ARTE é não apenas uma das vias de transformação do homem, mas também um caminho. Na qualidade de ARTE TERAPEUTA, vejo como esse caminho vem se mostrando possível e propiciador de encontros, superações e descobertas.
A arte ajuda o ser humano a despertar para a consciência de si mesmo e do universo. Ela contem uma mensagem espiritual que independe de tempo, espaço, credo e raça.
Um grande exemplo da atuação da ARTE no desabrochar da consciência de si mesmo, é o coreógrafo e bailarino Marcos Abranches. Ele desenvolve um trabalho que transcende a forma, explora a cor e nos convida a repensar conceitos como harmonia, equilíbrio, composição.
Trazendo do fundo de seu coração a "cor" da sua essência, ele consegue realmente colorir o nosso "psicológico", nos levando a nos questionarmos sobre a nossa cor e a nossa forma - quem somos? Como pensamos, como vemos o outro? Como nos movimentamos no espaço? Como se manifestam nossos sentidos da visão, audição, tato, equilíbrio, propiocepção?
A arte é o caminho que pode nos libertar da cor, da forma, da composição, do espaço tradicional impulsionando outra maneira de comunicação, registrando vivências momentâneas da realidade interior e exterior.
Veja mais sobre Marcos Abranches em : http://artedemais.blogspot.com.br/
s.m. Trra vermelha, amarela ou branca, composta
principalmente de alumina e sílica, que é utilizada na fabricação de telhas,
tijolos, vasos, potes.
Argila, greda.
Fig. Coisa insignificante, de pouco valor
S.m.pl. Espinhas, borbulhas no rosto.
Argila e Arte Terapia
O trabalho com o barro é profundamente eficaz no processo
terapêutico.
É muito maleável e simples de utilizar.
É o melhor material para sentir o processo de criação.
MODELAGEM
A modelagem em argila é o maior representante artístico das
tradições culturais de um povo. O barro pode ser considerado como o material
mais primitivo que conhecemos, A bíblia nos conta que Deus fez o homem a partir
do barro: “ O Senhor Deus formou pois, o homem do barro da terra...” (Gênesis)
O barro
propicia uma vivência do primitivo; o toque e o seu manuseio trazem uma
sensação acolhedora de maleabilidade já que vai moldando-se conforme a sua
vontade. Também há uma resposta do material frente ao toque pois o barro, na
medida em que vai sendo trabalhado, absorve a temperatura da pessoa, mudando
assim, sua temperatura inicial.
A argila é
fria, maleável, faz sujeira mas torna-se atraente em qualquer idade. Oferece
experiência tátil, e cinestésica favorecendo crianças com problemas motores e
perceptuais. Como é capaz de transformar-se através da manipulação, seja
amassando, esticando, espremendo, ou socando, tem uma qualidade sensual que faz
uma ponte entre sentidos e sentimentos.
O trabalho
com a argila pode ser sempre refeito, consertado, enquanto ainda úmido,
contribuindo para o desenvolvimento da auto estima e auto confiança. É matéria
viva, alimentadora da fantasia criadora e incentivadora do espírito criador.
No trabalho
de modelagem o corpo inteiro participa, a mão complementar torna-se também
ativa e estimulamos diversos sentidos. O mais óbvio é o tato, mas a argila e
outros materiais modeláveis, despertam o sentido visual, térmico, o sentido do
equilíbrio e o sentido cinestésico. Pode-se trabalhar com crianças maiores
noções de volume, temperatura, simetria, bem como o equilíbrio e o movimento.
Ao plasmar novas formas com as mãos através da modelagem, espelhamos nossa
noção de esquema corporal e podemos inclusive, pelo trabalho sistemático de
modelagem, interferir e modificar este esquema, “sabendo” do corpo, criando um
novo corpo. Sara Paim, falando da modelagem afirma; “um corpo que faz outro
corpo”.
Ao
“brincar” de modelar, vivenciamos formas, volumes, cheio/vazio, dentro/fora.
Criamos texturas, superfícies lisas. Brincamos com a geometria e desenvolvemos
a percepção espacial do mundo, bem como noções de orientação, direção,
proporção.
A argila
promove a manifestação ativa dos processos internos mais primários porque
proporciona fluidez entre material e manipulador, como nenhum outro. Através
dela tem-se uma sensação de controle e domínio sobre aquilo que se produz,
podendo-se remanejar, construindo e desmanchando os objetos, sem regras
específicas e definidas para o seu uso. Não se comete erro ao trabalhar com
argila. É fácil.
Na maioria
das vezes a argila é bem aceita, porém ocasionalmente uma criança (ou adulto)
pode mostrar-se receosa da massa molhada e “suja”, fato que por si só já conta
ao terapeuta muito sobre aquela criança.
Geralmente
as criações - expressões são nomeadas, facilmente surgem fantasias acerca delas
proporcionando uma dramatização ou o desenrolar de pequenas cenas que dizem da
vida, da história e dos sonhos dos pacientes.
A atividade
de modelagem de esculturas possibilita a criação de formas no espaço, sem
excluir a vivência do plano.
Fundamentos da Arte Terapia - Sara Paim:
Na arteterapia, a arte é concebida como uma metáfora, ou
melhor, como um simulacro de arte, por sua dupla condição: por um lado, o
paciente não se compromete com um aprendizado sistemático das regras do ofício,
nem com a criação de idéias plásticas cuja coerência estética seja completa e
socialmente reconhecida; por outro lado, a arteterapia pede da arte um serviço.
Esse serviço terapêutico constitui a própria definição de arte, mas projeta
sobre ela a tensão contraditória inerente à possibilidade de cura. A atividade
artística transforma-se assim em representação dramática da intenção criativa
do sujeito. É nessa duplicidade que encontramos a eficácia terapêutica dessa
modalidade clínica.
Sol da Terra o Uso do Barro Em Psicoterapia
ALVARO DE PINHEIRO GOUVEA,
Analista junguiano, o autor introduz a utilização da
moldagem em barro como recurso psicoterápico. O livro relata as experiências do
autor com este material no qual a relação analista-analizando ganha uma nova
dimensão, Traduzida pelas esculturas, máscaras e outros objetos. Relato de
casos clínicos são ilustrados com fotos de esculturas em barro devidamente
analisadas. Texto inovador e importante pras terapeutas de diferentes
correntes.
Segundo Antônio Luiz de Medina, o pensar metafórico – imagético – precedeu o pensar conceitual lógico linear, nos levando a concluir que o “processo primário de nossa mente é o imagético-metafórico e que, na realidade, criamos conceitos lógicos, o processo secundário, a partir dessas imagens primordiais”. (A Metáfora Terapêutica, in Imagens da Transformação, Nº 4, vol. 4, 1997, pag. 24) Partindo do ponto de vista da existência primeira da imagem para a partir dela o pensamento poder se estruturar e a consciência se desenvolver, reconhecemos a arte como a linguagem mais completa para e expressão e o reconhecimento do mundo interior dos sujeitos, constituindo-se em elo entre o sensorial e o simbólico. O trabalho de realização artística embora represente o tempo cultural de uma civilização, marca o que temos de individualidade e unicidade.
Fazendo uso da arte como veículo terapêutico, vemos que por intermédio da lei da matéria podemos encontrar uma forma de expressão e representação onde a palavra não está presente ou não se mostra possível, em virtude de limitações de ordem física, psíquica ou afetiva.
O estímulo à criatividade artística é ponto presente nos ateliês terapêuticos e/ou pedagógicos e a obra resultante das atividades tem por função tornar-se signo, colocando o sujeito compreensível na ordem de um código. Oferecendo ao sujeito a possibilidade de uma nova significação, estamos possibilitando mudanças e novas maneiras de se fazer amar.
Para que possamos desenvolver uma proposta de uso da arte com fins terapêuticos, alguns pontos devem ser observados:
# ambiente: tratando-se de uma clientela via de regra com baixo poder de concentração, a sala-ateliê deve ser resguardada de estímulos outros que não os propostos pelos técnicos, pois a partir da criação do espaço externo torna-se possível a criação de um espaço interno.
# mobiliário: mesa de fácil limpeza, cadeiras ou bancos com altura compatível à da mesa, cavaletes, armários para guarda do material de consumo, prateleiras para exposição dos trabalhos executados
# material: o material a ser utilizado é de fundamental importância. Deve ser adequado e de boa qualidade para possibilitar a expressão artística, principalmente quando destina-se a sujeitos que já apresentam algum tipo de limitação. Deve facilitar a proposta tanto do ponto e vista físico-motor, quanto ao nível terapêutico.
# pincéis: devem ser chatos, largos pois respondem mais rápido a qualquer idéia ou sentimento que surja, de cerdas macias mas resistentes. Os de cerdas muito moles ou roliços não resistem à grande pressão empregada e os muitos duros arranham a folha, não se prestando para pintura por quem não tem domínio motor consciente para este ato.
# suporte: o suporte para o trabalho a ser executado é muito importante. Como o próprio nome diz suporte é o que possibilita a expressão plástica, do ponto de vista literal, mas não podemos deixar de ter em conta a sua significação metafórica; papéis, tecidos, telas, madeira, objetos, devem ser de qualidade, devem valorizar o que vai ser inscrito em sua superfície.
# tintas: cada tinta destina-se a um determinado suporte, tendo uma qualidade específica que corresponderá a um objetivo a ser alcançado – transparência, densidade, luminosidade, sutileza – independente das cores utilizadas. Com relação às cores, gosto de apresentar unicamente as cores primárias, mais branco e preto, se necessário e de acordo com a faixa etária. As demais cores vão sendo descobertas e criadas por cada um. Creio que ao se oferecer logo as cores secundárias tira-se esta possibilidade de criação, principalmente para aqueles que não dominam a expressão da forma ou sua colocação no espaço. Apenas pela criação e utilização das cores o sujeito tem oportunidade de se expressar e o terapeuta de poder observar seu mundo interior, seu estado de ânimo naquele momento, seus conflitos.
# planejamento: cada expressão artística atende a objetivos específicos visto a arte no ateliê terapêutico não se prestar apenas a ocupar, mas visar reabilitar, ser instrumento de apoio terapêutico tanto psicológico como motor, pedagógico e de aprendizagem formal para a vida prática.
Diversos tipos de expressão artística devem ser oferecidos e sua utilização observada. A partir daí pode-se escolher para cada cliente uma atividade que seja a sua melhor forma de realizar-se e propor, além dos trabalhos em grupo, atividades individuais específicas, visando tornar-se o veículo próprio de expressão do sujeito e sua possibilidade de ser ponte para uma integração à vida cotidiana.
É de fundamental importância um fazer com sentido, um fazer de algo que fique, que sirva para alguma coisa. Um ateliê de artes plásticas reabilitador deve envolver atividades de desenho, pintura, modelagem, construção espacial, costura, que tenha por objetivo, além do fazer terapêutico e de ajuda para a vida prática, viabilizar uma possível profissionalização.
Todos são capazes de criar algo de expressar o belo – o seu próprio belo – mas é importante que acreditemos nesta verdade. Não há material “proibido”. A rejeição a determinadas atividades é natural, cabe a nós reconhecê-la e criarmos situações que permitam a sua superação. Esta rejeição é o “pote de ouro” de nosso trabalho e atenção, por que desperdiçá-lo?
Desde a pré-história os seres humanos produzem formas visuais, utilizando-se de símbolos para exprimirem os mundos objetivo e subjetivo. Por intermédio dessas expressões particulares – da arte do homem das cavernas – pudemos reconstruir a história. Muitos podem não considerar arte as imagens e o legado instrumental do homem deste tempo, mas como é mesmo a definição de arte?
Arte é a criação humana de valores estéticos que sintetiza as suas emoções, sua história, seus sentimentos e sua cultura.
Então, a partir desta definição, reconhecemos como arte todo impulso em designar o mundo ou a si próprio, de uma forma diferente; isto porque a culinária, o artesanato, as construções também podem atender à nossa definição de arte.
Entretanto a nossa questão é: A ARTE É TERAPIA?
Hoje em dia vários profissionais resgataram a importância da arte como algo inerente ao ser humano e a incorporaram ao seu trabalho, surgindo as terapias expressivas, a arte-educação, a terapia ocupacional e a arte terapia. Todo fazer com as mãos é terapêutico pois representa atos criativos que levam ao silêncio interior ou à expressão de emoções e sentimentos, havendo uma tendência errônea em se acreditar qualquer atividade artística como arte terapia. É necessário distinguir entre os fazeres artísticos, verificando suas diferenças, objetivos, aplicações e referenciais teóricos.
A arte educação busca estabelecer uma relação entre arte e cognição, objetivando a aprendizagem formal, mas também possibilitando ao sujeito criativo, espontâneo, a capacidade em transformar dificuldades que surjam na vida cotidiana.
Nas terapias expressivas usa-se a dança, a música, o movimento, o teatro e as artes plásticas, buscando-se primordialmente a expressão da singularidade do sujeito.
A sociedade Brasileira de Arte Terapia conceitua em seu estatuto, parágrafo único:
Arte terapia: Método de diagnóstico e tratamento, que utiliza a criação com base na integração de diferentes linguagens tais como: plástica, sonora, corporal, dramática, poética, atuando no campo da reabilitação, psicoterapia, empresa, educação, profilaxia, instituição em geral.
A arte terapia atua no âmbito do simbólico, tentando auxiliar as pessoas a decifrarem seus símbolos pessoais e universais, através da materialização de formas, cores gestos e sons. Ao mergulhar no campo das imagens, fazendo contato com conteúdos conflitantes, conduz o processo ao nível da conscientização e verbalização. A arte é a linguagem, mas a leitura será feita em níveis e teorias diversas.
Assim, percebemos que nem toda arte é terapia, mas chegamos à conclusão junto com Einstein que “ A função mais importante da arte e da ciência é despertar o sentimento religioso e cósmico e mantê-lo vivo.”